Thursday, September 29, 2005

Minha terra e meus conterrâneos

Cada vez que volto ao meu país tenho sensações estranhas... Nas ruas, nunca estou à vontade. Sempre com medo de ser roubada, agredida... Cresci ouvindo meus pais dizerem o tempo todo: "Cuidado com isso! Cuidado com aquilo! Isso é perigoso!" Sei que eles não foram os únicos a fazer isso. Todos os pais que temiam por seus filhos, quando estes passavam a descobrir o mundo sozinhos, fizeram o mesmo. O problema é que, ou estes filhos se acostumaram a viver num mundo assim e estão sempre em alerta, ou então, mesmo estando sempre alertas, eles estão sempre acompanhados pelo sentimento de medo. Esse é o meu caso quando volto a meu país. Talvez tenha perdido o costume de estar sempre em alerta e, então, quando sei que devo agir assim, isso me paralisa. Que pena... Que pena que a minha terra é assim! Que pena que existe tanta injustiça social e que ela acaba provocando todo este desconforto... O que compensa são os momentos em que você se depara com Brasileiros como Raimundo Gomes da Silva, taxista e rei do acordéon que conheci em São Paulo. Um Piauíense cheio de alegria de viver. Que bom! Que bom que nesse mundo cheio de desigualdade, violência e medo, a gente ainda possa encontrar pessoas que nos façam descontrair e dar boas risadas! Obrigada, Raimundo! Graças a pessoas como você, eu estou levando comigo desta vez boas recordações de São Paulo!

Saturday, September 24, 2005

FATALISMO

Neste exato momento em que escrevo estou a 10.000 ou 12.000 metros de altura, sobrevoando o oceano Atlântico. A viagem está confortável, mas longa. O fato de estar tomando medicamentos que me deixam ansiosa não melhoram em nada a situação... Estou impaciente! Cheguei à conclusão que cansei de aviões... Cada vez que subo em um, penso que ele vai cair. Aí começo a raciocinar: "Se esse for o meu destino, o que é que eu posso fazer? Não dá pra lutar contra o destino. Já que eu estou aqui, é melhor parar de pensar nisso. Se cair, caiu! O importante é não haver sofrimento..." Nossa, como eu estou fatalista! E o pior é que a maioria das viagens que faço segue o roteiro que eu mais gostaria de evitar: cruzar o oceano! Por que será que o oceano me faz medo? Talvez eu tenha visto muitos filmes que não devia antes da hora e isso acabou criando esse medo... Bom, mas fora todo este fatalismo de "chego viva ou não ao meu destino", o que está mais me fazendo falta por aqui é um computador com acesso à Internet. Acho que estou viciada nisso. Ainda mais quando tenho vontade de transformar em palavras os meus sentimentos e escrever tudo no meu blog... Somos os filhos da era da informática! Bom, já que não rola, vou continuando neste mar de pensamentos sobre os trabalhos a executar em São Paulo e o grande encontro com o meu sobrinho lindo (meu chuchuzinho), em Recife.

Sunday, September 18, 2005

Homens x Mulheres

Muitos livros já foram publicados sobre este tema. Muita gente já tentou explicar as diferenças entre os Marcianos e as Venusianas. Quem já leu sabe que as mulheres gostam de falar, discutir todos os detalhes, secar o poço até resolver os problemas. Já os homens, estes gostam de se refugiar no seu mundo e de resolver os problemas internamente. Toda essa diferença já gera toda uma problemática... mas isso não é o pior de tudo. O pior é quando um Marciano nascido e criado num continente encontra uma Venusiana nascida e criada a um oceano de distância. Aí é que as diferenças se revelam de verdade. O problema é que eles não falam a mesma língua (em todos os sentidos). Muitas vezes Marcianos e Venuzianas têm opiniões diferentes sobre algumas coisas mas, pelo menos, eles entendem a maneira do outro raciocinar e chegar àquela conclusão. Mesmo que não estejam de acordo com a conclusão. Já Marcianos e Venusianas nascidos e criados em continentes distintos não conseguem entender nem a metade do raciocínio que leva o outro a chegar a conclusões tão loucas e que eles nunca tinham visto antes. E isso dói. Isso traz lágrimas ao rosto. Isso às vezes leva ao desespero. Como construir um futuro em cima de tanta incompreensão? Como resolver problemas que a gente nem entende por que começaram? Difícil. Muito difícil. Às vezes parece que este abismo é imenso e que um dia estes dois seres terão que tomar rumos distintos se quiserem encontrar a verdadeira paz, porque construir uma ponte sobre este abismo parece requerer um trabalho interminável...

Tuesday, September 13, 2005

Eu adoro viver em Bruxelas!!!

Descobri em Bruxelas o que eu nunca tinha descoberto em lugar nenhum: é uma cidade onde as pessoas contam! Tanta coisa é organizada pra quem mora aqui... Tá bom, é verdade que o tempo não ajuda muito, mas quando ele está do nosso lado é só festa!! Nunca vi tanta coisa ser organizada para todos se divertirem. E é de graça!! O verão aqui é uma festa! São organizados: uma maratona e uma semi-maratona, um festival de jazz em vários pontos da cidade, as noites dos patinadores no meio das ruas , a festa da música, o domingo sem carro quando a cidade é invadida de bicicletas, o drive-in, etc, etc, etc. Isso fora o clima que rola na cidade inteira: todos os bares e restaurantes colocam mesas e cadeiras na calçada, as pessoas andam de bicicleta pelas ruas sem problema, etc. É tudo tão vivo!
Aqui eu nunca precisei me preocupar se iria ser roubada por um cara mal-encarado... O máximo que me preocupo é se ele vai me cantar. Não que os Belgas sejam paqueradores mas os Marroquinos que vivem aqui... Quando penso que até a neve e o frio eu aprendi a amar... Será que eu estou exagerando? Não... É assim que eu me sinto. Estou bem. Estou feliz.
Meu pai me disse várias vezes que lugar bom pra viver é onde a gente ganha dinheiro. Acho que é mais do que isso. A gente realmente tem que gostar do lugar. Mas acho que no fundo era isso que ele queria dizer: quando a gente ganha suficiente pra ter uma vida confortável, qualquer lugar pode se tornar atrativo. É verdade que quando cheguei aqui achava que tinha saído do primeiro mundo direto pro terceiro, ou seja, o Brasil era o primeiro mundo e aqui o terceiro. Cheguei à conclusão que era porque eu vivia como terceiro-mundista aqui e, por isso, não aproveitava nem via as coisas boas do lugar. Graças a Deus agora eu conquistei mais ou menos o meu espaço e posso apreciar tudo de bom que a Bélgica tem. Não que eu tenha enriquecido ou conquistado tudo o que eu queria, não é isso. Mas posso dizer que agora eu tenho o meu próprio mundo aqui. Mundo que lutei pra conquistar e, por isso, estou feliz.

Saturday, September 10, 2005

Êxtase fulgaz...

Passei o meu sábado sozinha. Metade do dia. A outra metade estive dormindo. Estava bem, feliz, em estado de êxtase. Sozinha, admirando a vista do meu terracinho, olhando os telhados das casas, pensando na vida, ouvindo a música e os trovões... feliz. Me perguntava a razão deste estado de espírito mas a verdade é que a razão não importava. Eu me sentia assim e pronto. Só tinha que disfrutar de cada segundo. Pensei em registrar isso naquele exato momento mas, um segundo depois, a minha paz foi interrompida. Entraram no meu mundinho, chacoalharam tudo, viraram tudo de cabeça pra baixo. E, de repente, tudo o que era bom ficou escuro... Que montanha russa. Devia saber controlar mais a portaria da minha alma. Só deixar entrar quem e quando eu quisesse. Poder me proteger e estar em privacidade mesmo quando cercada de gente. Um dia eu aprendo...

Brazilian Charity Night

Ontem fomos convidados a uma festa lindíssima. Era uma festa para arrecadar fundos para a escola ecológica Marcelino Champagnat de Curitiba. Tudo estava perfeito: a decoração, a música, a comida, etc. A festa realmente foi chiquérrima! Até leilão houve. Venderam uma foto do bairro da Liberdade em São Paulo por nada mais, nada menos que 10.000 euros!! Também foram leiloadas 2 bolas de futebol com a assinatura exclusiva de Pelé, entre outras coisas. Até Bruno estava dando lance!! Que louco! Devia estar muito seguro que alguém pagaria mais do que ele pra ter coragem de fazer isso! Claro que também não poderiam ter faltado na festa mulatas, batucada, capoeira e música brasileira, né? Bem típico! Combinamos de nos encontrar lá com Andréa e Fabrizio e, por acaso, acabamos encontrando também Elaine e Albert. Nunca tinha conversado muito com a Elaine mas ela acabou se revelando uma ótima companhia. Muito simpática. Espero que não percamos contato. Quando se está fora da sua própria terra, se está sempre torcendo pra encontrar pessoas que valham à pena... Enfim, pra dar uma idéia da festa vou colocar algumas fotos!

Mila Moreira (atriz GLOBAL) também estava lá.

Meus amigos...

Ontem estava voltando de uma festa chiquérrima onde fomos e estive refletindo sobre meus amigos aqui de Bruxelas... Eu estava dirigindo, Bruno estava dormindo e pelo retrovisor eu via Andrea e Fabrizio no carro que nos seguia. Estávamos todos cansados mas acho que Deda estava ainda mais. Ela estava com uma carinha tão tristinha dentro do carro que eu fiquei pensando se ela estava simplesmente cansada ou se, na verdade, ela estava melancólica, pensando na mãe, na família, no Brasil. Aí eu lembrei de Katariina... Lembrei que ela ainda não se sente totalmente parte deste lugar e entristeci. Entre outras, encontrei estas duas pessoas maravilhosas desde que cheguei aqui mas que se sentem diferente de mim em relação ao lugar. Ainda têm vontade de "voltar" ou de "ir" pra algum outro lugar. Ainda não acham que aqui é o seu lugar. Fico triste. Fico triste porque, apesar de estar feliz aqui, é como se eu sempre estivesse num lugar de passagem. Um lugar onde as pessoas vêm e vão. Nunca ficam. Fico triste por elas e por mim. Por elas, porque quando uma pessoa não se sente parte do lugar, nunca pode se sentir completamente feliz e sempre tem momentos de melancolia. Por mim, porque sempre penso que um dia irei perdê-las...

Thursday, September 08, 2005

A vida...

Hoje eu estava dirigindo de volta pra casa quando percebi quanto tudo o que estava ao meu redor era lindo... Me senti feliz. Agradeci a Deus. Agradeci pela vida. Às vezes fico pensando que, se não fosse o fato de meus pais terem se apaixonado e, num dado momento, terem se amado, talvez eu não estaria aqui hoje... Talvez eu deveria crer na teoria dos espíritas e acreditar que, ainda que não fosse neste corpo, eu teria reencarnado em outro. Poderia também crer que, se não fosse neste, eu poderia estar em outro mundo. Poderia ser assim, mas aí eu não seria Sheila. Não teria a "minha" família, a minha personalidade, os meus sonhos, etc. Tudo seria diferente. E a verdade é que eu sou muito feliz como sou. Gosto dos meus sonhos, das minhas emoções, da minha vida. Não queria ser outra pessoa. Daí que resolvi agradecer. Agradecer por poder enxergar e experimentar cada minutinho que estou passando neste mundo e tudo o que estou aprendendo com esta experiência. Agradecer também pelas pessoas que estou conhecendo ao longo deste percurso e tudo que esta convivência tem me ensinado. Obrigada por esta oportunidade, meu Deus!

Tuesday, September 06, 2005

Festa da Independência do Brasil!!!

As imagens falam por si só...





Monday, September 05, 2005

E Deus fez o homem à sua imagem e semelhança...

Aí está o meu chuchuzinho... Acabo de conhecê-lo por meio de fotos. É grande, saudável, cheio de energia. Chegou pra dar muito trabalho aos pais. Trabalho pra vida toda... Mas também muitas alegrias. Alegrias do tipo que eles ainda não conhecem. Se eles já babaram com o primeiro xixizinho dele, imagina quando ele andar, quando ele disser mamãe e papai, quando ele disser titia!!! Vai ser uma alegria só. E quando ele arrumar a primeira namorada? A mãe vai morrer de ciúmes, o pai vai incentivar ele a ser garanhão e a tia, a mais sensata de todos, vai dar bons conselhos... Obrigada meu Deus! Obrigado por tudo ter dado certo. Obrigada por minha irmã e meu chuchuzinho estarem bem. Muito obrigada. Fotos

Sunday, September 04, 2005

O que vai ser de mim se eu parar de lutar?

Hoje estou decepcionada... Decepcionada comigo mesma. Hoje caiu a ficha. Me dei conta do que me tornei. Acomodada. Me acomodei com quem me tornei e esqueci de continuar lutando. Já lutei muito. Já consegui muito. Mas hoje estou com vergonha de mim mesma. Vergonha de ter parado e me acomodado. Me encostei, me escorei e vivi uma vida da qual eu não tinha as rédeas. E agora estou com medo. Medo porque de tanto me escorar posso acabar caindo. Basta o apoio mudar de lugar. Basta um simples movimento e tudo vai mudar. E não vai ser pra melhor. Talvez eu tenha que agradecer a Deus de me fazer ver esta situação antes de cair... Só falta saber se eu vou ter força suficiente pra mudá-la. Pra voltar a lutar. Pra voltar a vencer. Pra tomar as rédeas da minha própria vida. Pra construir o meu futuro... Tudo o que peço a Deus é inspiração e determinação pra dar este passo... Sem isso, a queda pode ser feia...

Friday, September 02, 2005

Nasceu Pedro Henrique!!!


Meu sobrinho nasceu! Meu amorzinho veio ao mundo! Meu chuchuzinho já está entre nós! Ainda nem tive como vê-lo... É triste mas estou dependendo da internet pra ver a primeira foto e ter as primeiras impressões... O que a distância faz com a gente... Ainda bem que vivo num mundo de alta tecnologia e que dentro de algumas horas vou poder ver a carinha deste serzinho que já é tão amado. Liguei pro Brasil umas 5 vezes hoje. Sem contar com ontem, ante-ontem, antes de ante-ontem, etc. Acho que minha irmã já está de saco cheio de mim... Fazer o quê se eu estava mais ansiosa do que ela? Morro de medo de hospital e nem posso ouvir falar em operação, daí que rezava sem parar pra tudo dar certo... E deu! No final das contas foi tão rápido! Mal ela entrou na sala de operação e ele já estava nascendo... Lindo... Com 2,5 kg e 47 cm!! Que grande, né? Estou feliz. Estou estourando de emoção. E olha que por enquanto tudo é fruto da minha imaginação, ou seja, eu imaginei a cena do corte, da saída forçada do bebê de dentro da barriga, da cara da minha irmã quando viu o bebê, da cara boba do pai sem acreditar naquilo tudo, da cara da minha mãe quando descobriu que tinha realmente se tornado vovó, da cara do meu pai quando olhou pra ele e disse que era a sua cara!! Coitados dos bebês, eles têm sempre que parecer com alguém... Bom, vou analisar bem detalhadamente a foto que estiver no site do hospital pra ver se ele também tem alguma coisa minha!! Aliás, não vai ser difícil, tendo em conta que eu e minha irmã somos tão parecidas... Que bom! Quer dizer que ele também vai ser a minha cara!! Ai, estou babando... Não vejo a hora de chegar o final do mês e ir pegar nos meus braços essa criaturazinha... Será que minha irmã vai me deixar pegar ele no braço? Pôxa, se ela não deixar, ela é muito chata. Claro que ela vai deixar... Não vejo a hora... E depois de novo em novembro, e de novo em dezembro!! Quem sabe também em fevereiro? Que bom ter esta chance de vê-lo pelo menos com uma determinada frequência... PHzinho, meu lindo, titia está chegando, viu? Guarda o seu melhor sorriso pra ela, tá? Amo tu meu chuchuzinho!