Monday, October 31, 2005

Meu marido

Eu e Bruno num momento de paz...

Friday, October 28, 2005

Agressão gratuita

Hoje fui agredida no meio da rua por um homem. Estava saindo do estacionamento do meu prédio quando o celular tocou e eu encostei o carro pra responder. Mal disse alô, me dei conta que havia um homem ao lado da janela do meu carro gritando comigo. Desliguei o telefone e fui perguntar pra ele porque ele estava falando daquela maneira comigo. Pra quê? Ele gritava, me xingava, batia no meu carro e, finalmente, quando eu decidi fechar a janela, o filho da puta cuspiu no meu carro. Claro que eu reagi a isso tudo. Quem me conhece sabe que eu tenho sangue quente. Mas, despois do acontecido, abri o choro... Será que o mundo está ficando louco? Por que alguém nos agride gratuitamente no meio da rua? Por quê? O que é que eu fiz pra aquele homem me tratar daquela maneira? Depois me arrependi de ter saído com o carro. Devia ter descido do carro e encarado ele. Devia ter chamado a polícia naquela hora. Fui dar queixa depois mas há uma chance em um milhão que eles o achem. Não sei se é assim no mundo todo mas aqui isso é considerado crime e, se ele for encontrado, terá que responder um processo. Se for encontrado... Tomara que ele more aqui na frente de casa e que eu volte a vê-lo, pois aí não o deixarei escapar de novo! FDP! Passei o dia em estado de choque, deprimida. Pra tentar melhorar fui pro cinema, acompanhada. Antes não tivesse ido, acabei a minha noite sozinha. Estou chegando à conclusão de que passo a semana inteira esperando o fim de semana e, quando ele chega, dá tudo errado! Tô maus. Tô me sentindo deprimida. Acho que estou precisando de ajuda...

Thursday, October 27, 2005

Viver sozinho???

Nos últimos dias estive avaliando o lado positivo da vida de pessoas que vivem sozinhas. No entanto, ontem ouvi um testemunho sincero de uma pessoa que vive sozinha. Isso foi muito mais real do que utilizar simplesmente a minha imaginação... A verdade é que o ser humano não é feito pra viver sozinho. Por mais que, às vezes, tenhamos necessidade de um pouco de espaço pra nós mesmos, espaço demais também faz mal. A falta de uma companhia, de um carinho e de uma boa conversa podem fazer tão mal quanto uma briga... Pior ainda é quando você tem alguém ao seu lado mas que não há companhia, carinho ou conversa... O fato é que queremos sempre alguém ao nosso lado mas que a realidade da vida a dois não é NADA FÁCIL!

Tuesday, October 25, 2005

When enough is enough?

Como estar segura de que uma fase da sua vida está terminando e que outra tem que começar? Como ter coragem de deixar tudo pra trás simplesmente porque "basta!"? Como parar de insistir pra tentar fazer as coisas darem certo? Como saber que se chegou ao fim de uma era?

Monday, October 24, 2005

Abandonar tudo

Muitas mulheres, assim como eu, abandonaram tudo pra viver com seus maridos no mundo deles. Quando eu digo "tudo", eu não estou exagerando. Deixamos pra trás o nosso país, as nossas famílias, os nossos amigos, a nossa língua, a nossa cultura e até a nossa maneira de raciocinar. Será que alguém se dá conta de como é frustrante chegar num novo país e não poder nem ir comprar pão sozinha porque não fala a língua? Ou chegar numa farmácia e não poder pedir o remédio que você quer simplesmente porque você não conhece nenhum daqueles nomes? Acho que os maridos não se dão conta disso. Eles não entendem o que é abandonar tudo o que temos pra viver um grande amor. Simplesmente porque eles nunca o fizeram! Como saber o que isso significa se a gente nunca experimentou? Eles acham que a gente exagera com as nossas lamentações mas a adaptação a um novo mundo leva anos... A maioria das pessoas atravessa um fase depressiva. "Mas por quê? Foi você que fez a escolha de vir pra cá!" Fácil de falar, difícil de explicar. Nem tudo depende do fato de você estar bem com a pessoa amada. Tudo o que você abandonou continua a lhe fazer falta. Uma parte de você ficou pra trás e não dá pra recuperar. Tudo o que digo é que "isto é uma fase, e esta fase pode levar anos". Tudo o que estas mulheres precisam é de um pouco de compreensão e de colo. Mesmo que isso seja difícil de entender pra uma pessoa que nunca largou nada pra estar com ela...

Sunday, October 23, 2005

Escolhas...

A cada dia de nossas vidas fazemos escolhas que determinam nosso futuro. Desde pequenos nos confrontamos com situações nas quais temos que tomar decisões que, de uma forma ou de outra, acabam alterando o curso de nossas vidas. Mas, como saber qual a melhor decisão a tomar? Ou pior, como olhar pra trás e não se perguntar se a sua vida teria sido melhor se você tivesse decidido diferentemente? Sempre chegamos a um ponto de nossas vidas onde nos colocamos este tipo de questão... Eu cheguei. Pelo menos é assim que estou me sentindo em relação a um dos aspectos mais importantes da minha vida. Estou olhando pro passado, pensando nas experiências que tive, nas decisões que tomei e me perguntando se eu fiz a coisa certa. Quando somos muito jovens e ambiciosos temos medo de nos apegar a coisas e pessoas que possam nos prender e impedir de viver a vida com a qual sonhamos. Isso também aconteceu comigo. Deixei algumas coisas importantes passarem pelas minhas mãos e irem embora por causa desse medo. E hoje, quase uma década depois, me pergunto se eu fiz bem, me pergunto onde eu estaria e se eu estaria mais feliz que estou hoje. Como dizia Cazuza: "o tempo não pára!" E, quer saber? Acho que nunca saberemos onde e como estaríamos se tivéssemos escolhido a segunda opção... Resta-nos a dúvida eterna...

Saturday, October 22, 2005

Sem escapatória

Tem males que nos perseguem a vida inteira e a gente não consegue se livrar deles. O meu faz 6 anos. Posso dizer que ele estragou uma grande parte da minha vida. Já sofri muito por isso... Passei alguns anos tendo-o sob controle. Isso dá a impressão de que o mal não existe mas não é verdade. Ele está lá. Está somente esperando o bom momento pra voltar, pra desestabilizar a sua vida. Mais uma vez ele está voltando. Me devorando. Me humilhando. Me mostrando que eu não tenho poder nenhum sobre ele. O que fazer? Se entregar? Lutar? Já tentei de tudo. A minha única esperança restante é Deus.

Solidão

Tem dias em que, por mais que existam pessoas lhe rodeando por todos os lados, você se sente sozinho... É assim que estou me sentindo hoje. Cheguei à conclusão que nunca vivi realmente sozinha e não sei o que é isso. Admiro quem vive sozinho e não se sente solitário. Acho que viver sozinho deve ser um pouco como fazer uma terapia. Você aprende a se fazer companhia e a se conhecer. Acho que um pouco disso deve fazer bem a todo mundo. Acho que todo mundo deveria provar um pouco. Não sou pela solidão mas pelo auto-conhecimento e por uma introspecção sistemática. Estou até considerando o fato de fazer uma análise, já que não vivo sozinha e isto me dá pouco tempo pra me conhecer melhor. Análise. Por que não? Falar, falar, escutar seus próprios pensamentos, conhecer melhor sua maneira de raciocinar, avaliar suas emoções... Nada como o conhecimento de si mesmo pra melhor determinar onde você quer chegar e como esta vida pode fazer algum sentido pra você. Quem sabe?

Wednesday, October 19, 2005

Paixão pela música brasileira


Hoje eu estava indo pra um importante almoço de trabalho e aí, "pra entrar no clima", decidi ouvir um forrozinho... Ai, como eu adoro forró. Só sabe quem cresceu ouvindo aquela música. Resultado: estou eu, sozinha com Gil dentro do carro, cantando e dançando forró, toda animadinha, rindo até as orelhas, quando me dou conta que a moça que estava no carro do lado estava me olhando. Tive pena dela. Pensei: coitada, deve ser uma belga que não sabe nem o que é forró... Se ela soubesse como aquilo é bom, talvez tivesse entendido a minha euforia e até feito uma brincadeira. Mas não, olhou, achou esquisito, voltou a se concentrar no trânsito e foi embora. Acho que está faltando um pouco de descontração aqui em Bruxelas...

O parecer...

Uma vez, durante uma reunião de trabalho, uma colega disse que os brasileiros gostam muito do "parecer"... Sei que ela estava se referindo ao fato que os brasileiros gostavam de se vestir bem, no entanto, aquela frase me marcou. Pensei muito sobre ela porque pra mim o "parecer" é mais do que isso. Acho que muitas pessoas praticam isso e, na minha opinião, isso não se limita à nossa nacionalidade. Existem pessoas que, por mais que você tente, você nunca vai chegar na essência delas. Tudo o que elas mostram é a capa que querem que os outros vejam e pensem que aquilo é ela. Tenho estado em contato com muita gente assim ultimamente e acho isso lamentável. O pior é que, na medida em que elas não se abrem pra você, você também não se abre pra elas e acaba passando a mesma impressão. Não sei porque isso me faz sofrer. Gosto de pessoas que mal te conheceram, já estão falando das suas alegrias e tristezas. Claro que todo mundo deve preservar um pouco a sua intimidade mas isso não impede delas manifestarem suas emoções. Acho que é isso que está faltando neste mundo, pessoas que saibam abrir seus corações...

Tuesday, October 18, 2005

Velhos, sim, mas com dignidade!

Semana passada eu estava dirigindo de volta do trabalho e uma imagem me marcou: vi uma velhinha sozinha numa parada de ônibus. Pensei que aquela imagem não era muito típica no meu país... Na verdade, quando uma pessoa envelhece no Brasil, é como se ela desaparecesse do mapa. Os velhinhos lá estão sempre no interior das casas. Não os vemos nas ruas, como aqui. Lembro que, logo que cheguei em Barcelona, fiquei impressionada com um casal de velhinhos que eu encontrei no metrô de mãos dadas. Achei aquilo tão lindo. Me perguntei por quê eu nunca via aquilo no Brasil... Acho que os velhos vivem mais dignamente na Europa. Tudo bem, aqui pode fazer mais frio, as pessoas não ser tããão calorosas, mas dignidade existe! Olha os meus sogros, por exemplo, 78 anos e ainda fazem tudo sozinhos. Vão visitar a família na França de carro, cuidam da casa, das compras, do jardim... São totalmente autônomos! Eu quero ser uma velhinha autônoma! Quero chegar a esta idade fazendo tudo sem precisar de ninguém atrás de mim! Aliás, quem não quer?
Sogros (Roger e Germaine)

Tchutchuco

Saturday, October 15, 2005

INTERE$$EIROS

Ontem fui à despedida de um Embaixador de quem gosto muito. Havia muita gente presente. Normal, ele é uma pessoa super carismática. Infelizmente, me dei conta que nem todos estavam ali pelo mesmo motivo que eu. Muitos estavam lá pra se aproveitar da ocasião e falar com um máximo de pessoas possível, pra que isso pudesse lhe render alguma coisa no final da noite. Sei que isso é "normal" e que muita gente faz isso neste tipo de evento mas algumas coisas me escandalizaram. Vi uma pessoa falando com outra sobre assuntos íntimos, ao mesmo tempo que não parava de olhar o resto da sala pra ver quem seria a próxima "vítima", ou seja, pessoa com quem ia falar. Achei isso tudo tão feio. O que mais me marcou, no entanto, foi pensar que naquele mundaréu de gente, muitos também falaram comigo só porque eu represento isso ou aquilo. Tenho certeza de que se fosse mais uma brasileira desempregada em Bruxelas, a metade daquelas pessoas não teria falado comigo. Aliás, provavelmente, eu nem estaria lá. Não consegui dormir pensando nisso. Acordei refletindo sobre a mesma coisa. Isso não sai da minha cabeça. Infelizmente, a gente tem que ter muito cuidado hoje em dia com quem a gente chama de amigo. Ele pode simplesmente estar sendo nosso amigo enquanto seja conveniente... Que nojo!

Thursday, October 13, 2005

Injustiça...

Estou aqui mais uma vez, debaixo de um céu com 3 estrelas, 1 avião e 1 lua maravilhosa refletindo sobre a vida... Pensando sobre o que determina a sorte das pessoas, me perguntando por que umas pessoas são mais bem-aventuradas do que outras... Algumas pessoas com tanto conforto e outras lutando por um mísero direito à vida. Ontem vi uma reportagem sobre o meu país que me impressionou. Não que o assunto fosse novo. O que me impressionou foram os testemunhos. Vi gente como eu na televisão, a única diferença é que eles pediam um mínimo necessário pra viver. Não tenho uma vida abastada mas tenho o necessário pra viver bem e não ter do que reclamar. E os outros? Por que todos não têm direito a isso? Vi gente que luta a vida inteira pra ter um simples pedaço de terra. Pra quê? Pra poder comer. Por outro lado, vi que 1% dos proprietários de terra no Brasil possuem 50% das mesmas. Que país é esse que dá tanto a uns e tão pouco a outros? Não falemos de lugares piores, como a África... Vendo aquelas pessoas na televisão me dei conta de que eu não era nem mais inteligente, nem mais merecedora do que elas, pelo contrário, todas elas falavam com muito conhecimento de causa e raciocínio lógico. Enfim, eram pessoas inteligentes e tão determinadas a ter uma vida melhor quanto eu. O único problema é onde e em que família elas tinham nascido. Então, por quê? O que é que determina que uma pessoa vai ter tudo o que quer na vida, outra vai ter o necessário para se manter e outra vai lutar até o fim sem nada ter?

Wednesday, October 12, 2005

Minha casa, meu lar.


Adoro meu cantinho. Ele é super gostoso. Sofri durante quase 5 anos por ter caído de pára-quedas no cantinho de outra pessoa (por acaso, meu marido). Agora não, agora é diferente. Eu escolhi este cantinho e, pouco a pouco, ele vai se parecendo mais e mais comigo. Adoro o barulho dos carros no lado direito e amo o silêncio e a paz que reinam no lado esquerdo. Na verdade, este cantinho tem múltiplas personalidades. Em um lugar, a gente pode curtir o movimento e apreciar o agito, no outro a gente pode estar sozinha consigo mesma e refletir sobre a vida. É perfeito! Agora, por exemplo, estou do lado de fora, no terraço, no friozinho, na frente do meu computador, vendo a lua sobre os tetos das casas... Não é o máximo? Estou feliz e satisfeita. Finalmente encontrei o meu lugar.

Tuesday, October 11, 2005

Linda

Por que será que os homens esquecem de elogiar suas mulheres? Mesmo quando eles acham que elas estão bonitas, em geral ficam calados. Não fazem o menor comentário. Se eles soubessem como isto nos faz falta... As mulheres são vaidosas. Querem se sentir lindas. Se esforçam pra isso. Elas querem feedback. Se isso não acontece, elas ficam desapontadas. Mas aí, de repente, tudo muda. Tudo muda porque os outros homens não são cegos. Eles também sabem admirar uma mulher bonita. E aí vem o tão esperado elogio: LINDA! Aí a noite muda. Mesmo que não tenha nada a ver a pessoa que te disse isso... O importante é que o que você desconfiava era verdade: você realmente estava linda naquela noite... Ou melhor, talvez você seja linda... Ai como é bom ouvir isso. Ai como faz falta ouví-lo de vez em quando. Ainda bem que de tempos em tempos isso acontece e nos levanta a moral. Nada como ir dormir tendo escutado um "linda".

Sunday, October 09, 2005

5 Years later...

Voilà meus verdadeiros amigos da minha era londrina... Stephane, Laurianne e Manami. Amigos de todas as horas. Moramos no mesmo apartamento de um edifício universitário em Londres. Compartilhamos a mesma cozinha e experiências parecidas. 3 mulheres, 3 países, 3 estórias de vida e muita compaixão. Steph chegou mais tarde no nosso meio mas foi acolhido com muito carinho também. Que pão deliciosamente cheiroso que ele fazia cada dia... Não é a toa que é Francês. Bom, voltando ao assunto pelo qual estou aqui hoje: nos separamos em junho de 2000 e nunca mais nos vimos... até ontem! 5 anos mais tarde! E quer saber? Eles continuam os mesmos: gente finíssima! Amigos do coração! Estou muito feliz de tê-los reencontrado. Onde quer que estejam, eu sei que estarei no coração deles e vice-versa. Um grande beijo pra vocês meus queridos amigos! (Lots of kisses to all of you my friends! Love you all!)

Friday, October 07, 2005

Medicamentos


Estou enlouquecendo. Tenho que tomar um remédio que tem como efeito secundário um aumento incrível do nível de ansiedade. Fico elétrica. Não no bom sentido. Não consigo me concentrar em nada. Pra trabalhar é horrível. Mesmo pra me divertir é difícil. Tá barra! Aí decidi tomar calmantes pra balancear o problema. Daí que eu fico meio zumbi. Ao contrário dos seres humanos normais, tenho que tomar o calmante durante o dia, logo antes do trabalho. Resultado: tô pirando! Elétrica e, ao mesmo tempo, quase dormindo de pé! Loucura.

Wednesday, October 05, 2005

Cansaço...

Estou exausta... Entre o trabalho, a ginástica, os amigos e as viagens, não está me restando tempo pra nada mais. Não páro. Estou sempre em movimento. Estou sentindo falta de dar um tempo. Talvez seja uma questão de prioridade. Mas, na verdade, tudo o que eu tenho feito é prioritário. A ginástica pro corpo, os amigos pra mente, o trabalho nem falo porque é evidente. Então o que cortar do meu dia-a-dia pra ter um pouco mais de tempo? Até com o meu marido tenho passado pouquíssimo tempo. Eu diria que só passamos 1h juntos por dia... Daí eu venho dormir e ele fica na televisão. Tá maus... Minha maior prioridade do momento está de lado: os estudos! Sonhei que me arrependia ardentemente por não estar estudando no momento. Sei que esse choro vai se tornar realidade se eu não tomar uma atitude. Mas o que fazer? No trabalho não dá pra dar um tempo, pelo contrário, está cada dia mais puxado. A ginástica não dá pra parar porque já estou meio que de mal com o meu corpo. Os amigos... Ah, esses eu não deixo nem a pau! São uma fonte de alegria pra minha vida! O pior é que eu ainda tenho vontade de voltar a estudar línguas, cuidar mais da casa que anda uma bagunça, consertar umas roupas que queria voltar a usar, etc, etc, etc. Assim não dá! O dia devia ter 72h e a gente devia continuar trabalhando as 8h normais. Estou precisando me focar mais nas verdadeiras prioridades... Quais? Só Deus sabe...

Monday, October 03, 2005

O caminho percorrido na Europa

Minha primeira experiência de moradia fora do Brasil não foi nos Estados Unidos, como a maioria dos Brasileiros. Minha própria irmã já havia morado um certo tempo lá. Eu sempre quis estudar fora do país e, é verdade, que sempre pensei nos EUA... Mas o destino não quis assim. Surgiu uma oportunidade de fazer uma pós em Barcelona e foi pra lá que eu fui. Ainda me lembro da minha chegada à cidade. Ia de táxi de uma estação de trem ao hostal onde ficariam por alguns dias, antes de alugar um apartamento. Olhava todos aqueles edifícios antigos e me perguntava o que é que eu estava fazendo ali... Pensamento normal de uma Brasileira super americanizada! Chorei de saudades durante 1 mês. Depois passou. Aliás, mais do que isso: me apaixonei pela cidade! No final do ano letivo já não queria mais voltar. Bom, por falta de opção, acabei voltando. Passei 2 anos no Brasil. Tempo suficiente para conseguir uma bolsa de estudos do governo britânico para fazer um mestrado em Londres. Essa, sim, foi a minha prova de fogo. Sempre tive na minha cabeça que se eu passasse por uma universidade em Londres, estaria pronta para qualquer outra experiência que me viesse pela frente. A verdade: foi duro! Não os estudos porque eu adorava estudar relações internacionais, mas um monte de outras coisas que não facilitavam a minha vida por lá. Acabar o mestrado e sair dali foi um alívio! Bom, eu acabei indo pra um lugar onde jamais sonhei viver: Bruxelas! Se eu achei Londres duro, em Bruxelas é que eu veria o que é lutar pra ser feliz... Passei por 3 anos de depressão. A adaptação não foi nada fácil. Graças a Deus, não cheguei ao extremo absoluto de desistir de tudo, mas Ele sabe que muitas vezes fraquejei... E passou! Hoje sou uma nova mulher! Tenho uma nova vida neste novo país! Obtive a nacionalidade e, hoje em dia, me sinto muito mais européia que a maioria deles. Claro que antes de tudo me sinto Brasileiríssima. Mas o que me atrai na Europa é a mais bela cooperação que já vi entre países distintos: a União Européia. Acredito que este é um projeto com objetivos pacifistas que vale muito à pena e ao qual eu gostaria muito de contribuir como nova cidadã européia.

O prazer de escrever

Não sei se na verdade se trata do prazer de escrever, de ser lida ou de simplesmente compartilhar o que sinto... O que sei é que desde que comecei a escrever este blog tenho sentido um prazer incomensurável de traduzir em palavras tudo o que sinto. Sobretudo, é tudo muito autêntico. Não leio blogs de outras pessoas para saber do que falam. Simplesmente escrevo o que me vem ao coração... Tampouco vivo indicando meu blog para outras pessoas. Gosto que amigos o visitem mas, no que diz respeito às outras pessoas, é sempre um prazer receber um comentário de alguém que eu não tenho a mínima idéia de quem se trata. Até agora todos os comentários (ainda que pouquíssimos já que eu não divulgo o blog) foram simpáticos e isso é positivo. Isso me dá vontade de ir mais longe. Me dá vontade que mais pessoas tenham acesso a estas linhas. Me dá vontade de compartilhar os meus sentimentos com mais e mais pessoas. Alguns acham que isso é loucura, que devemos guardar a nossa privacidade... Bom, eu penso diferente. Penso que quando nós compartilhamos as nossas experiências com os outros, eles se identificam com algumas delas, comparam estas experiências com as deles próprios, e sempre acabam aprendendo alguma coisa com isso. Eu acho realmente que se trata de uma experiência enriquecedora, não só para o escritor, mas também para os leitores.

2 Casas, 2 Mundos...

Venho de um país quente, onde as pessoas trabalham pra viver... Brasil! Vivo há 7 anos num continente bem mais frio, onde as pessoas vivem pra trabalhar... Europa! No Brasil, tenho a família e os amigos de longa data. Na Europa, tenho a profissão, o marido e os novos amigos. No Brasil, as pessoas tem sangue quente, como eu. Na Europa, as pessoas são prudentes ao fazer amigos, como eu. Acho que o melhor do Brasil são a natureza e os Brasileiros. Acho que o melhor da Europa são a justiça social e a perspectiva de um futuro ainda melhor. Se existem defeitos? Claro! Nos dois! Já vivi tristezas e alegrias nos dois lugares e sei ver as vantagens e desvantagens de cada um. Mas, ter duas casas e partilhar sua vida entre dois mundos é bom ou ruim? O ruim é o fato de você sempre ser um estrangeiro em ambos os lugares, mesmo tendo as duas nacionalidades. Mesmo quando volto ao Brasil, minha pátria-mãe, tenho que ouvir comentários sobre como estou "europeizada". E, claro, na Europa, eu sempre serei Brasileira. Isto é o lado mais negativo mas, se eu olhar de outro ponto de vista, nos dois lugares sou uma pessoa exótica, única. Isso não me parece tão ruim assim... O lado bom? A experiência que isso tudo me traz. A oportunidade de experimentar coisas tão distintas. A chance de conhecer pessoas tão diferentes. A possibilidade de desenvolver qualidades que eu não teria se não tivesse vivido todas estas experiências. Acho que o caminho percorrido até agora me fez desabrochar para a vida e me tornou uma mulher ainda melhor!

Saturday, October 01, 2005

O grande encontro!

Finalmente fui a Recife! Finalmente conheci meu chuchuzinho (meu sobrinho)! Pedro Henrique. Nome poderoso, cheio de personalidade. Por enquanto, tudo o que ele demonstra é que vai ser um guloso! Mama até umas horas... Encontrá-lo foi como abrir um novo capítulo na minha vida; foi como fazer uma viagem no tempo; foi como voltar de novo ao começo de tudo e perguntar por quê viemos e para onde vamos. Vejo aquela criaturazinha pequenina na minha frente e me pergunto como ele viverá sua vida; como será sua personalidade; por que profissão ele optará; mas, sobretudo, me pergunto se ele amará uma tia que sempre estará tão longe... Sei que não estarei lá quando ele disser a primeira palavraa ou der o primeiro passo... Amanhã, por exemplo, é seu aniversário de 1 mês e eu tive que me despedir dele ontem.... É triste. Não sei o que o futuro nos reservará, o que eu sei é que os verdadeiros sentimentos são sentidos mesmo a um oceano de distância e que o que eu puder fazer para mostrar o meu amor por ele, eu farei!