
Neste último fim de semana peguei um avião de Bruxelas para Lisboa e outro de Lisboa para Recife. O trecho Bruxelas-Lisboa ocorreu sem maiores problemas, já a ida de Lisboa a Recife foi horrível. Já saímos do portão de embarque para o ônibus que nos levaria ao avião com uma hora de atraso. Chegando ao lado do avião percebemos que havia um carro do corpo de bombeiros que tinha espalhado espuma por toda uma área que estava coberta de querosene que escorria do avião. Aí já deu medo. Todo mundo se perguntava o que estava acontecendo mas nada de explicações. Esperamos um pouco dentro do ônibus e depois nos fizeram entrar no avião. Depois de algum tempo, o avião começou a andar na pista e a se preparar para decolar. Foi quando um passageiro viu que estava escorrendo querosene aos montes pela asa do avião e começou a gritar pela aeromoça. Todos começaram a apertar os botões para chamá-la. Quando ela aparece, o passageiro a faz olhar pela janela o que estava acontecendo. Ela sai correndo pra avisar ao piloto. Detalhe: tudo isto ocorre enquanto o avião está em movimento e quase decolando. A aeromoça consegue avisar ao piloto em tempo e o avião sai da pista. Voltamos ao ponto de partida e somos avisados que uma equipe técnica estava vindo solucionar o problema. Esperamos, esperamos e, no final das contas, o comandante nos avisa que teremos que descer do avião por tempo indeterminado. (Detalhe importante: se não embarcássemos naquele mesmo dia, eu perderia o batizado do meu sobrinho, do qual eu seria madrinha.) Descemos do avião e ficamos atentos aos avisos dados no altofalante. Passam umas 2 horas, até que nos chamem pra embarcar. Quando estamos chegando de novo no avião, nos damos conta de que se trata do mesmo avião. Nada de mudanças, nem de explicações. Me senti muito pior quando percebi que o avião era altamente velho. A própria classe executiva tinha características muito antigas. O máximo que nos deram foi um pedido de desculpas pelo atraso. Nada de explicações. Passei 7 horas da minha vida tendo a certeza de que ia morrer naquele dia. E o pior de tudo era que isso ocorreria no meio do oceano, do qual tenho tanto medo das profundezas e dos afogamentos. Não quis nem beber nada alcólico para estar totalmente capaz de tomar decisões e agir da maneira correta quando o acidente acontecesse. Rezei, rezei, rezei. Foram as 7 horas mais longas da minha vida. Quando finalmente o avião chegou a Recife são e salvo percebi que Deus queria mesmo que eu fosse madrinha do meu sobrinho...